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Suplementação em crianças

por Dra.Paula Sorrentino | Nutrição Pediatrica

Criança tomando comprimido de vitamina indicando necessidade de Suplementação em crianças

As dietas restritivas em crianças — seja por alergias, intolerâncias alimentares ou escolhas da família — exigem cuidado redobrado. O crescimento e o desenvolvimento infantil dependem de uma nutrição completa, e a retirada de grupos alimentares pode aumentar o risco de deficiências nutricionais se não houver acompanhamento adequado.

Principais riscos nutricionais em dietas restritivas

Cálcio e vitamina D: essenciais para ossos e dentes fortes; a falta pode prejudicar o crescimento.

Proteínas: fundamentais para formação muscular e desenvolvimento.

Ferro: a deficiência pode causar anemia e queda de energia.

Vitaminas do complexo B (como B12): importantes para o sistema nervoso e produção de energia.

Zinco e selênio: atuam na imunidade e no metabolismo.

Esses nutrientes costumam estar em maior risco em crianças com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), dietas sem lactose, vegetarianas, veganas ou com seletividade alimentar importante.

Quando considerar suplementação?

A suplementação deve ser considerada quando:

A dieta não consegue suprir todos os nutrientes necessários.

Há sinais de deficiência confirmados em exames ou avaliação clínica.

A criança apresenta risco nutricional elevado por doença crônica ou condição clínica especial.

Como é feita a suplementação?

Individualizada: não existe suplemento universal. Cada criança precisa de uma avaliação detalhada.

Segura: a suplementação deve respeitar limites máximos (DRIs), evitando riscos de excesso.

Acompanhada: deve ser orientada por um nutrólogo pediátrico, que ajusta doses conforme crescimento, exames laboratoriais e evolução clínica.

Suplementos mais comuns em crianças com dietas restritivas

1. Vitamina D

Quando pode ser necessária:

Exclusão de leite e derivados (APLV, intolerância à lactose).

Crianças que tomam pouco sol.

Por que é importante: ajuda na absorção de cálcio e saúde óssea.

2. Cálcio

Quando pode ser necessário:

Dietas sem leite e derivados.

Crianças com baixa ingestão de vegetais ricos em cálcio (como brócolis, couve, gergelim).

Por que é importante: essencial para ossos, dentes e funcionamento muscular.

3. Ferro

Quando pode ser necessário:

Crianças vegetarianas ou veganas.

Quadros de anemia ferropriva confirmada.

Por que é importante: participa da produção de hemoglobina, prevenindo anemia e cansaço.

4. Vitamina B12

Quando pode ser necessária:

Crianças em dietas veganas (já que a B12 está presente apenas em alimentos de origem animal).

Por que é importante: essencial para o sistema nervoso e para a produção de células sanguíneas.

5. Ácidos graxos ômega-3 (DHA e EPA)

Quando pode ser necessário:

Crianças que não consomem peixes.

Por que é importante: contribui para o desenvolvimento cerebral, visão e imunidade.

6. Zinco

Quando pode ser necessário:

Crianças com seletividade alimentar importante.

Dietas vegetarianas sem variedade.

Por que é importante: atua na imunidade, cicatrização e crescimento.

7. Selênio

Quando pode ser necessário:

Dietas muito restritivas e com pouca variedade de alimentos.

Por que é importante: antioxidante, protege as células e ajuda na defesa do organismo.

O papel do nutrólogo pediátrico

O acompanhamento especializado garante que a dieta restritiva seja nutricionalmente completa, mesmo com exclusões. O nutrólogo pediátrico avalia a real necessidade de suplementação, orienta as doses corretas e monitora os efeitos no crescimento e na saúde da criança.

É essencial entender que nem toda criança em dieta restritiva precisa de suplementos, mas todas precisam de acompanhamento. O equilíbrio entre alimentação variada, substituições adequadas e, quando necessário, suplementação direcionada é o caminho para um crescimento saudável e seguro.

Cada suplemento só deve ser iniciado após avaliação médica. O excesso também pode ser prejudicial — por isso, o acompanhamento com um nutrólogo pediátrico é fundamental para ajustar a dose à realidade de cada criança.

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